Definhamento: que mal-estar é esse?

A pandemia trouxe uma série de mudanças na dinâmica social e de convivência. Com o isolamento social e muitos trabalhando em home office, ficou evidente a ausência de bem-estar e falta de sociabilidade. Diante disso, muitas pessoas têm reportado que a sensação tem sido um pouco diferente de ansiedade ou cansaço, mas de definhamento.

O que vem a ser esse sentimento?

Podemos explicar que, ao pé da letra, definhar significa perder as forças, enfraquecer, abater-se, extenuar-se, debilitar-se.

A pandemia ocasionou diversas perdas, de todos os tipos: normalidade, hábitos, encontros sociais, momentos de lazer e, ao mesmo tempo, desesperança, incerteza, cansaço com o excesso de atividades desgastantes, o luto pelo falecimento de tantas pessoas, a falta de perspectiva de melhoria, o comportamento inadequado de algumas pessoas, como os destemidos sem máscara e negacionistas.  Juntamente com ausência de oportunidades de momentos de lazer, eventos sociais, do contato com a natureza, dos relacionamentos afetivos e no ambiente de trabalho e do toque e abraço fraternal, isso tudo, durante um período muito longo, causa a sensação de enfraquecimento e desse tal definhamento.

Esse sentimento é muito parecido com o fato de perder as forças, a graça e sentir-se sem energia para fazer as coisas do cotidiano, de tomar decisões, de buscar coisas diferentes para fazer, fraco a ponto de não querer lutar contra essa força contrária tão mais forte, gerando uma apatia.

O cansaço diante do inimigo foi tomando conta paulatinamente e o ânimo de grande parte das pessoas foi sendo sugado. Abrindo portas para um aumento da autocobrança e do perfeccionismo ou ainda para a ausência de bem-estar e da sociabilidade. Neste momento, o controle excessivo deve ser deixado de lado e, por mais que o cenário aponte para a falta de luz no túnel, podemos encontrar esperança, bem-estar e praticar o autocuidado.

O termo “definhar” para representar essa sensação não surgiu agora. Segundo o psicólogo e sociólogo Corey Keyes –famoso por seus trabalhos com a psicologia positiva, a palavra languishing, ou seja, definhar é um estado no qual as pessoas esquivam em vez de decidir e agir, possuem uma sensação de vazio e demonstram um repertório de ação limitado. Esse já era um estado em que uma parcela da sociedade se encontrava e, com o advento da pandemia, esse número aumentou consideravelmente.

Como não se deixar definhar:

O primeiro passo é ter consciência do que está acontecendo e dos próprios sentimentos. Uma boa maneira de começar esse processo é prestar atenção em si mesmo e fazer um diário: anotar o que aconteceu, como se sentiu, as suas reações e percepções diante das situações e o que ocasionou determinadas emoções. Por mais que possa parecer enfadonho para alguns, é um passo importante para expandir a consciência, identificar os sentimentos e buscar maneiras de sair da situação desconfortável.

Como resgatar o entusiasmo

Para combater o desânimo e essa sensação de definhamento, algumas atitudes básicas, que, por vezes, deixamos de lado passam a ser ainda mais necessárias nesse momento, como exercícios físicos e a meditação, ou seja, exercícios de conexão consigo mesmo, com o divino e de relaxamento.  Além disso, é importante também buscar pequenos momentos prazerosos e de pausas ao longo do dia.

Fazer planos e traçar objetivos de longo prazo, distribuí-los em pequenas metas de curto prazo, adquirir o hábito de celebrar as conquistas são boas maneiras de resgatar o entusiasmo.

DICAS DA TERAPEUTA:

Crie rituais de início e fim do dia, para te dar ânimo e energia para começar o dia e inclua ações de autocuidado – e de encerramento do dia para dar sono e leveza como deixar os eletrônicos desligados, ouvir músicas relaxantes, fazer um escalda pés antes de dormir. O autocuidado é olhar para si com carinho e gentileza, prestar atenção e destinar um tempo para fazer coisas que aumentem o seu bem-estar físico e emocional.

– Um antídoto para as emoções negativas –como a sensação de definhamento– é o estímulo e a evocação das emoções positivas. A psicologia positiva é uma área de estudo se diferenciou das demais ao analisar e valorizar as experiências positivas como contentamento, esperança, interesse, admiração, gratidão, amor e alegria e entender suas motivações, deixando de focar apenas nos problemas e doenças. Então, a proposta é relembrar momentos em que você experimentou tais emoções, revivê-las na mente e compartilhar com outras pessoas.

Defina os papéis que realiza ou que executa em sua vida. Por exemplo: eu, dona de casa, mãe, professora, esposa, amiga… e então, para cada papel desses, estabeleça períodos do dia e/ou da semana para atuar. Lembrando de se incluir, pois em primeiro lugar, precisamos cuidar de nós mesmos para nos sentirmos bem e capazes de exercer os outros papéis e ajudar os outros.  Importante ter consciência de que não precisamos dar conta de tudo, talvez lidar com isso seja o mais difícil para muitos, que se sentem tomados por um excesso de auto cobrança. Se precisar de ajuda, procure fazer uma terapia, algo imprescindível nesse momento e nos dias de hoje.

Tenha em mente que perfeccionismos e comparações devem ser banidos e aceite-se como imperfeito e a sua vulnerabilidade. Por exemplo: não deu para limpar a casa todos os dias, os brinquedos das crianças estão uma bagunça? Tudo bem! Ajeite no seu tempo. O importante é não deixar as coisas se acumularem, como desorganização e sujeira, que contribuem para um estado de espírito negativo.

Conforme escreveu Carlos Drummond de Andrade: ” Arrume a casa todos os dias, mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo para viver nela”.

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