FOMO: o que é e como lidar com essa síndrome

A tecnologia nos trouxe muitas facilidades e também nos causou alguns problemas relacionados principalmente à saúde mental. Atualmente, com o uso constante do smartphone, as pessoas estão nas redes sociais, acumulam fotos, vídeos, são bombardeadas com anúncios e propagandas de diversos tipos de produtos, lives e possuem infinitas informações ao seu dispor 100% do tempo. Diante disso, têm se tornado mais comum as pessoas apresentarem diversos problemas relacionados ao exagero do uso da tecnologia, no consumo e acúmulo de informações.

Com facilidade encontram-se pessoas que verificam de maneira automática as notificações em seus celulares, antes mesmo de se levantar da cama e de dormir, outras levam o celular até mesmo para o banheiro. Essa necessidade de estar sempre atualizado e conectado se tornou um ritual para muitos e, em alguns casos, pode evoluir para problemas de ordem física, emocional ou mental.

Mesmo tendo consciência de que a quantidade de novas informações produzidas diariamente é imensa e que não é possível acompanhar tudo, é comum a sensação de que estamos perdendo alguma coisa e que precisamos consumir mais conteúdo para estarmos atualizados ou à frente de outras pessoas. Então, por exemplo, se estão disponíveis duas lives no mesmo horário, muitos não conseguem se decidir e, com medo de perder alguma oportunidade ou de ficar para trás, acabam dando um jeito de acompanhar as duas ao mesmo tempo, o que não funciona bem. Essa sensação é conhecida como FOMO, sigla que significa em inglês  “fear of missing out” ou “medo de ficar de fora”, se traduzido para o português.

O  termo foi criado em 1996, pelo americano Dan Herman, para descrever aquele medo sentido quando você acha que está perdendo algum acontecimento muito importante e foi popularizado por uma reportagem do Jornal New York Times em 2011. No entanto, acredito que esse problema piorou  muito de lá pra cá, já que as tecnologias evoluíram consideravelmente e o número de pessoas que utilizam a internet e o número de usuários nas redes sociais crescem cada vez mais.

O FOMO aumenta os níveis de  ansiedade, estresse e até depressão, além da sensação de frustração, de inadequação e sentimentos de raiva e inveja.  Existe uma necessidade constante de acompanhar o que as pessoas estão fazendo, uma obrigatoriedade de estar por dentro de tudo, de estar conectado em tempo integral e a sociedade reforça isso de diversas maneiras.

Por isso, conheça mais sobre o assunto, veja como amenizar  essa dependência e viver de maneira mais saudável.

Realidade editada

Ao observar a vida de pessoas famosas, blogueiras e conhecidos, sempre cheias de eventos, frequentando os melhores restaurantes, viajando, rodeados de amigos, rindo à toa, com uma beleza impecável e roupas da moda, alimenta-se uma comparação desnecessária entre as pessoas, estimulando uma percepção de um mundo perfeito, sem sofrimentos e irreal.  Esse fato somado ao constante aumento de informações e, muitas vezes, das promessas irreais através de produtos  só para estimular a compra pelos usuários da internet implica nas pessoas uma necessidade de aproveitarem as oportunidades e de viverem nessa correria louca pela felicidade, sucesso e  perfeição. A impressão é de que todos estão se divertindo, felizes, com muito dinheiro e completamente realizados na vida, o que causa a sensação de que estamos perdendo algo ou que estamos produzindo, aproveitando ou vivendo menos que as outras pessoas. Você pensa que a sua situação de vida não é suficiente e isso vai gerar angústia, ansiedade, frustração e irritação.

No entanto, é sempre importante lembrar que o que acompanhamos pelas redes sociais é uma realidade editada, onde só é exposto o que os usuários pensam que vai gerar likes, comentários, compartilhamentos e repercussão.  Além disso, as pessoas usam cada vez mais aplicativos de edição, filtros e outros elementos que tornam as fotos ou vídeos mais bonitos e que deixam a realidade mais atraente para os seguidores.

A consequência disso são pessoas doentes e vivendo a vida ilusória dos outros ou acreditando que aquilo apresentado foi conseguido de um dia para o outro, sem esforços ou de maneira natural e muitos dos produtos comercializados têm o objetivo de atender esta necessidade. Além disso,  fica mais difícil saber se o que vemos nas redes sociais é verdade ou se é somente mais uma montagem, uma enganação, fake.  Na pandemia essa situação se tornou ainda mais preocupante, pois o meio digital se tornou praticamente o único para relacionamentos, compras e tudo mais.

FOMO e a pandemia

O consumo excessivo de informações e o exagero no uso das redes sociais se intensificou, já que ficamos impossibilitados de realizar reuniões presenciais, festas, eventos, cursos e foi necessário usar a tecnologia principalmente no trabalho para substituir processos e facilitar a comunicação.

Além de usar mais a tecnologia, nesse momento também existe um saudosismo da nossa vida pré-pandemia. Os próprios aplicativos compartilham sazonalmente nossas lembranças: fotos que postamos, os eventos que frequentamos e principalmente as situações de aglomeração que nos trazem muita saudade.

Como se não bastassem as lembranças, também lidamos diariamente com inúmeras fotos de pessoas nas redes sociais que estão ignorando completamente a Covid-19 e as orientações da Organização Mundial da Saúde. Isso provoca raiva, indignação, ansiedade, sensação de impotência e aumenta o sentimento de FOMO, pois, começamos a pensar que também poderíamos estar nos divertindo e por isso estamos perdendo oportunidades.

E algumas pessoas comentam que os locais estavam vazios ou sem aglomeração e é simples concluir que, se estão vazios, é porque todas as outras pessoas estão abrindo mão enquanto outros negam. Importante refletir também sobre o próprio comportamento e não tentar acompanhar quem age de maneira inadequada.

Como o FOMO pode evoluir para problemas mais graves?

Pode ser que você tenha FOMO e nem saiba disso.

Quando as redes sociais começam a tomar boa parte do seu dia, você não consegue se concentrar em outras atividades, tem muita dificuldade em se desconectar, deixa de realizar tarefas importantes ou de cumprir com obrigações, reduz a produtividade, os resultados e percebe que não fez quase nada ao final do seu dia, apesar de sentir-se muito cansado(a). Isso é um sinal de alerta!

Identificar que o exagero nas redes sociais e o medo de perder estão prejudicando os seus relacionamentos, o seu desenvolvimento pessoal e outras áreas da sua vida já é um bom começo. É importante procurar ajuda de um terapeuta e realizar um tratamento com o objetivo de fazer uso mais saudável da tecnologia. Nos casos crônicos, consulte principalmente um médico para melhor orientar e indicar a intervenção mais adequada.

Muitas pessoas não conseguem simplesmente abandonar as redes sociais, principalmente aquelas que usam esses meios para o trabalho, mas é importante encontrar formas de amenizar essa dependência, antes que comprometa os seus resultados, a sua produtividade,  o seu emprego e a sua saúde física e mental.

Já está entendido como a FOMO afeta o seu bem-estar e alguns sinais para identificar se está exagerando.

Formas de amenizar a FOMO

Em primeiro lugar, é importante ter autoconhecimento e uma percepção bem clara sobre si mesmo(a), sobre o que deseja para a sua vida e das suas necessidades. Para isso, é essencial fazer um planejamento e definir objetivos, metas e os recursos necessários. Dessa forma, ficará mais claro para você e a tendência de se perder pelas redes sociais pelo excesso de informação, comprar ou consumir coisas desnecessárias será bem menor, pois você estará mais focado(a) e direcionada às oportunidades que são interessantes para você. Assim será mais fácil descartar o que não estiver relacionado ou aquilo que não contribuir com os seus objetivos.

Então, sugiro algumas perguntas para se fazer:

  • O que você sente que está perdendo? E ganhando? O que está deixando de ganhar?   Escreva os seus ganhos e perdas para as situações.

Conheça algumas práticas que podem te ajudar a fazer um uso mais saudável da tecnologia e das redes sociais:

– Evite ao máximo usar o celular em momentos-chave do dia como, por exemplo, no café da manhã, almoço, jantar, antes de dormir ou logo ao acordar.

– Desative as notificações automáticas dos aplicativos.

– Ative o modo silencioso do celular e avise às pessoas que, se for uma situação urgente, ligar para um telefone fixo, por exemplo. Se você fizer uso do celular para o seu trabalho, uma alternativa é deixar o telefone um pouco fora do seu alcance.

– Dê preferência para não usar o  relógio ou despertador do celular,  para evitar as distrações.

– Estabeleça um tempo mínimo por dia ou durante o fim de semana para desenvolver atividades totalmente desconectadas da tecnologia como praticar um esporte ou um hobby,  ler,  meditar ou simplesmente descansar.

– Elimine aplicativos desnecessários e abandone alguns grupos de WhatsApp.

Além disso, evite comparar-se com as outras pessoas. Cada um é cada um, todos somos únicos e imperfeitos.

Lembre-se: se você se identificou com as situações, não deixe chegar em uma condição mais grave. A iniciativa de mudança precisa partir de você!

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