Um sofre enquanto o outro ri

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Essa frase é uma adaptação  da música “Azul da cor do mar” do Tim Maia e volta e meia ocupa a minha mente, pois se analisarmos ao pé da letra, parece que um sacaneia e ri da desgraça do outro… e não é isso que acontece. A sensação é que para o sujeito que ri realmente rir, ele precisa causar o sofrimento do outro.

Acredito que tanto eu quanto você já agimos ou nos sentimos em ambas as posições….. e sabe o que é pior? É que o indivíduo que sofre acredita que o outro foi injusto….. baseado em quê? Difícil escrever sobre sentimentos assim, de forma racional, mas convido a todos se posicionarem em ambos os lados e quando sofrer, imaginar-se estando na outra posição.

Resolvi escrever hoje, pois estou entalada….. na maioria das vezes que fazemos algo para o próprio benefício somos considerados egoístas, maus….. e não funciona desse jeito. Cada um escolhe o sentimento que deseja ter e não temos controle sobre o sentimento do outro, mas sim do nosso próprio.

E isso é triste…. não sei se mais triste é fazer parte do lado do que sofre ou do que ri…. O que sofre se sente podado de todo e qualquer sonho, da sequência dos seus objetivos e se frustra, se sente incapaz, incompetente. E algumas vezes condena o outro pela sua dor.

E quem ri sente culpa, sofre pela dor do outro, mas não troca o próprio benefício ou felicidade pelo consolo do bem-estar do outro. Mais uma vez: esse não foi o responsável pelo sentimento alheio e sim o responsável por uma ação que causou o sofrimento do outro. Percebe a diferença?

Vou explicar como isso se passa dentro da minha cabeça: nem sempre o que ri, está rindo da desgraça alheia, mas em determinadas situações para este conquistar o que precisa e deseja recebe em troca a tristeza e sofrimento do outro.

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Por exemplo, vou dar um típico: a empresa demite um colaborador para continuar tendo lucros, para prosperar no mercado, pois quer produtividade e melhoria de resultados, o que o tal colaborador não está correspondendo e o que é demitido sofre. Confesso que é difícil tomar essa decisão, pois temos sentimentos, a empresa toma a decisão através de pessoas…..pessoas têm emoções…. 

Outro exemplo é o término de relacionamentos: muito difícil, pois estar do lado de quem toma a decisão é sofredor também, mesmo que essa decisão seja para o bem de ambos, é a dor do fim. E sempre um sofrerá mais que o outro, pois tem outras ideias na cabeça e outras emoções no coração.

Fazer parte de times que competem por uma posição melhor também é outro exemplo: um sempre vai perder enquanto o outro ri e comemora a vitória.

Quando eu era criança, sentia culpa por ter condições de brincar, de ser alegre, de comer coisa gostosa enquanto tinha gente passando fome ou crianças no hospital…. era muito doloroso. Me ensinaram isso e então aprendi a reprimir as emoções, sobretudo a alegria…sentia vergonha e culpa…tristeza e alegria2

Eu sentia como se distrair, viajar, brincar, sorrir, ser alegre e feliz fosse algo que eu não deveria sentir, pois era como se eu tivesse tirando do outro em benefício próprio…. Tipo como se estivesse sendo má e eu era uma pessoa boa, então também deveria sofrer, mesmo sem saber porquê….

Antigamente não participava, não gostava de competir e algumas vezes fiz com que meu time perdesse. Eu não gostava de competição por vários motivos e o maior deles não era medo de perder, era o medo de ganhar. Doidera, né?

E vou te falar que cresci com isso e já sofri muito por sentir e carregar essa culpa sobre o sofrimento do outro, achava que não poderia demonstrar qualquer felicidade já que em alguma parte do mundo tinha gente sofrendo. E isso piorava quando eram pessoas próximas. Por isso, durante muito tempo tinha a cara fechada, sorria menos do que gostaria, não demonstrava dor e nem alegria. Como diz uma amiga minha, me sentia amorfa, apática, insosa…. praticamente sem vida….

Hoje isso mudou quando se trata de demonstrar alegria e vou te contar que foi uma grande transformação interna e externa. Externa porque tenho feedbacks das pessoas e realmente percebo como é bom expressar a alegria, competir e ganhar.

Aí você me pergunta o que eu fiz e eu te digo que fiz várias terapias, participei de vários treinamentos e aprendi a gostar de comemorar a vitória, mesmo que outros saiam derrotados. Eu não fui a causadora nem da derrota do outro e nem do sentimento que envolve a derrota: eu só fui responsável pela minha vitória e pela alegria que resolvi sentir e comemorar. É incrível como nossas crenças nos condicionam a viver sempre do mesmo jeito e abaixo dos nossos limites, do que conseguimos ser. Essa é a vida, temos que aprender a ganhar e a perder e quando senti o prazer de ganhar e de me sentir vencedora, mudei essa parte da minha história!

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E sabe o que é mais legal e excitante? É que hoje trabalho com treinamentos utilizando jogos, hipnose e coaching de forma a ajudar as pessoas a lidarem melhor com esses sentimentos, a mudarem suas crenças limitantes por fortalecedoras e transformarem as suas histórias de vida e dentro das empresas.

Ainda me deparo em alguns momentos com esse sentimento de dor e me sinto tentada a sentir culpa ou dó do outro, por me ver em uma situação melhor que a do mesmo, mais capacitada. O importante é que não sinto culpa e muito menos responsabilidade pelo sentimento do outro, pois fiz o que podia ter feito.

Diria ao Tim Maia que também tenho muito a contar e que aprendi que na vida a gente tem que entender que em alguns momentos um sofre enquanto o outro ri. Quem sofre tem que procurar e encontrar razões para continuar e recomeçar, identificar os aprendizados e o que poderia fazer para obter resultados melhores da próxima vez.

Talvez seja dramático demais dizer que precisa encontrar razão para viver….e sim para aprender, pois se o sujeito  concentrar toda a felicidade em cima de algo, maior e mais doloroso o tombo.

Felicidade brilha no ar como uma estrela – Fábio Júnior.

 

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Basta alcançá-la!

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