Qual é a sua graça?

Antigamente, costumava-se fazer a pergunta: Qual a sua graça? Para saber o nome da pessoa.

Isso bem antigamente mesmo, são registros da época da minha avó, talvez algo do interior de Minas ou bem regional.

Então, no último fim de semana eu fui no musical da Cássia Eller. Vale a pena assistir!

Eu gosto muito desses musicais, pois é uma forma de manter vivo o artista e também uma oportunidade de conhecer mais a história da carreira e da vida do mesmo, além é claro de poder ouvir novamente as músicas que fizeram história em nossas vidas.

E enquanto algumas pessoas se divertem com as músicas e com os palavrões que são falados durante a peça (é incrível como falar as palavras cú, caralho e puta que pariu fazem tanta gente rir…); eu e outros viajamos com as músicas e com as histórias e, numa realidade paralela saímos do espetáculo com algum aprendizado, várias ideias, insights ou pelo menos com uma pulga atrás da orelha.

Uma das passagens do musical que me chamou mais a atenção foi quando um produtor no início da carreira da Cássia Eller disse que era importante ela ter uma marca, algo que a representasse, que fosse único. E a primeira atitude que ela teve foi de cortar as sobrancelhas, pegar um batom de uma outra pessoa e pintar as sobrancelhas com o batom. E então disse ao produtor: – Pronto, agora já tenho uma marca.

Ele a achou completamente louca….talvez essa loucura naquela voz fosse a sua marca.

E o que tem isso, afinal?

Isso me chamou a atenção, pois me lembrei do que comentei acima, e acho que existe uma referência: a pergunta nesse caso poderia ser: qual é a sua graça?

E a resposta é a seguinte: o que ela tem que ninguém mais tem igual?

Que ela canta e toca bem demais, disso não temos a menor dúvida, mas como ela poderia se mostrar, se sobressair, visto que cantar bem tem muitas outras e que também tocam.  Pelo que identifiquei  no musical a Cássia era uma pessoa extremamente tímida e não gostava muito de socializar, então esse definitivamente não era seu ponto forte. Ela encontrou então a sua maneira de se sobressair e se destacou:  do seu jeito.

Essa marca pessoal é a soma de diversos fatores, como traços da personalidade, habilidades, conhecimentos, interesses, características, histórias de vida…. é o resumo de tudo e sobretudo de como as pessoas nos enxergam, de quais ideias e significados surgem quando as outras pessoas ouvem o nosso nome.

E foi nisso que fiquei pensando depois: todos nós temos algo que nos faça sobressair, que seja diferente de todos os outros, temos um estilo único e próprio.

Por exemplo, você pode ser uma pessoa determinada, mas determinada tem muita gente também e isso não a faz única… Como você mostra essa habilidade, qual a sua forma de apresentar essa característica para os outros e o que te faz ser identificada como uma pessoa determinada, isso sim faz sua identidade própria.

Eu assisti a uma entrevista do Fábio Porchat e ele fala um pouco sobre isso: ele disse que nunca pensou em ser ator, muito menos fazer stand up comedy, mas quando ele começou a perceber que as pessoas paravam para ouvir as suas histórias e gostavam da maneira como ele contava, achavam engraçado e entretinham-se. Ele encontrou o seu “algo a mais” e o que as pessoas gostavam e que ele podia oferecer.

Acho interessante também se espelhar em alguém que seja exemplo de algo que deseja ser. Nada de copiar, lembre-se que existe algo que nos faz únicos.

E então, qual a sua graça?

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