
Se você ficar esperando uma graça divina cair do céu para descobrir seus talentos e se realizar, isso pode demorar a vida inteira — e olha que não é garantido.
Antigamente, costumava-se fazer a pergunta: Qual a sua graça? Para saber o nome da pessoa. Isso bem antigamente mesmo, são registros da época da minha avó, talvez algo do interior de Minas ou bem regional.
A verdade é que a sua graça não está lá em cima. Está dentro de você. E ela não vem com pompa nem com luz divina — vem com autoconhecimento, coragem e um olhar sincero para quem você é.
Foi pensando nisso que resolvi escrever este artigo. Vou te contar uma história que me fez enxergar isso de um jeito novo…
Eu fui assistir ao musical da Cássia Eller. Vale a pena assistir!
Eu gosto muito desses musicais, pois é uma forma de manter vivo o artista e também uma oportunidade de conhecer mais a história da carreira e da vida do mesmo, além é claro de poder ouvir novamente as músicas que fizeram história em nossas vidas.
E enquanto algumas pessoas se divertem com as músicas e com os palavrões que são falados durante a peça (é incrível como falar palavrões faz tanta gente rir…); eu e outros viajamos com as músicas e com as histórias e, numa realidade paralela saímos do espetáculo com algum aprendizado, várias ideias, insights ou pelo menos com uma pulga atrás da orelha.
Uma das passagens do musical que me chamou mais a atenção foi quando um produtor no início da carreira da Cássia Eller disse que era importante ela ter uma marca, algo que a representasse, que fosse único. E a primeira atitude que ela teve foi de cortar as sobrancelhas, pegar um batom de uma outra pessoa e pintar as sobrancelhas com o batom. E então disse ao produtor: – Pronto, agora já tenho uma marca.
Ele a achou completamente louca….talvez essa loucura naquela voz fosse a sua marca.
E o que tem isso, afinal?
Isso me chamou a atenção, pois me lembrei do que comentei acima, e acho que existe uma referência: a pergunta nesse caso poderia ser: qual é a sua graça?
E a resposta é a seguinte: o que ela tem que ninguém mais tem igual?
Que ela canta e toca bem demais, disso não temos a menor dúvida, mas como ela poderia se mostrar, se sobressair, visto que cantar bem tem muitas outras e que também tocam. Pelo que identifiquei no musical a Cássia era uma pessoa extremamente tímida e não gostava muito de socializar, então esse definitivamente não era seu ponto forte. Ela encontrou então a sua maneira de se sobressair e se destacou: do seu jeito.
Essa marca pessoal é a soma de diversos fatores, como traços da personalidade, habilidades, conhecimentos, interesses, características, histórias de vida…. é o resumo de tudo e sobretudo de como as pessoas nos enxergam, de quais ideias e significados surgem quando as outras pessoas ouvem o nosso nome.
E foi nisso que fiquei pensando depois: todos nós temos algo que nos faça sobressair, que seja diferente de todos os outros, temos um estilo único e próprio. Talvez seja um conjunto de características que nos faz ser quem somos e diferentes de todos os outros: um ser autêntico.
Por exemplo, você pode ser uma pessoa determinada, mas determinada tem muita gente também e isso não a faz única… Como você mostra essa habilidade, qual a sua forma de apresentar essa característica para os outros e o que te faz ser identificada como uma pessoa determinada, isso sim faz sua identidade própria.
A verdade é que, quanto mais nos conhecemos, mais capazes de desenvolver habilidades, de evoluir e de nos desenvolver como pessoas nos tornamos.
Eu assisti a uma entrevista do Fábio Porchat e ele fala um pouco sobre isso: ele disse que nunca pensou em ser ator, muito menos fazer stand up comedy, mas quando ele começou a perceber que as pessoas paravam para ouvir as suas histórias e gostavam da maneira como ele as contava, achavam engraçado e entretinham-se. Ele encontrou o seu “algo a mais” e o que as pessoas gostavam e que ele podia oferecer.
Apesar de ter comentado aqui exemplos de uma cantora e um ator, explico-me que nem o autoconhecimento e nem os talentos são exclusividade dos artistas e está disponível para todos nós. A tal graça é algo para toda a humanidade e não privilégio de alguns!
Acho interessante também se espelhar em alguém que seja exemplo de algo que deseja ser. Nada de copiar e sim para se inspirar. Lembre-se que existe algo que nos faz únicos.
E então, qual a sua graça?
A sua graça não é um talento que você precisa inventar. É algo que já está aí — só não foi nomeado ainda. Pode estar num jeito de ouvir as pessoas, numa habilidade que você acha “pequena demais”, numa curiosidade que você nunca levou a sério.
O problema é que a vida adulta empurra a gente para o comum. Faz acreditar que único é arriscado, que autêntico não vende, que é melhor se encaixar do que se destacar. E aí a graça vai ficando quieta, esperando uma permissão que nunca chega.
Mas ela não precisa de permissão. Precisa de direção.
E foi exatamente por isso que eu criei a Jornada Mapa da Vida — um processo estruturado de autoconhecimento que te ajuda a identificar qual é a sua graça e, mais importante, o que fazer com ela. Não é um questionário que te joga um resultado e te deixa sozinha com ele. É um acompanhamento com ferramentas, reflexões e um planner de vida prático que te leva da descoberta à ação.
Se você sente que tem algo único guardado (todo mundo tem!), mas nunca deu a devida atenção, talvez seja hora de parar de esperar a graça cair do céu e começar a construir o caminho até ela.
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