Viagem ao espaço : sonho ou realidade?

Nesse último sábado,  4 de junho de 2022, o segundo brasileiro viajou rumo ao espaço! Não foi numa missão científica da Nasa, mas com certeza foi uma experiência surreal de viagem ao espaço, viabilizada por uma empresa privada Blue Origin, fundada em 2000 por Jeff Benzos – da Amazon.

Foi emocionante acompanhar essa experiência do mineiro Victor Hespanha e um resgate a uma época da minha vida. Passou um filme em minha mente, voltando desde a infância em que eu – igual a milhões de crianças do planeta, sonhava em ser astronauta. Isso não passava de um sonho de criança e eu logo me esqueci. Apesar de ter ganhado a assinatura da revista Superinteressante da editora Abril do meu pai, ficar alucinada com a ciência e curiosa sobre o céu, a lua, os planetas e o universo, ainda parecia muito distante a ideia de um dia poder fazer uma viagem ao espaço e até de conhecer outros planetas.

Foi então que decidi estudar engenharia mecânica sem um objetivo muito específico e me apaixonei ainda mais quando comecei a estudar as forças aerodinâmicas. Naquele momento eu decidi que eu queria trabalhar um dia na NASA – Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço, no desenvolvimento de foguetes ou qualquer outra área.

Com esse intuito, eu comecei as minhas investigações e encontrei uma mulher carioca que trabalhava lá e acendeu-se uma grande luz  dentro de mim sinalizando que aquilo era possível. Foram eliminadas todas as minhas objeções, já que existia uma mulher engenheira mecânica brasileira trabalhando na NASA. E, naquela época, eu não fazia a mínima ideia de como eu poderia realizar esse sonho, pois não existia muito acesso à internet e conseguir essas informações era muito mais difícil do que hoje em dia. Lembro-me de comentar com os colegas de faculdade e todos “riam da minha cara”, achando algo impossível. Na verdade, eles achavam que era brincadeira da minha parte.

Até que um dia surgiu uma oportunidade de vagas para trabalhar na Embraer – Empresa Brasileira de Aeronática, aberta a estudantes de engenharia mecânica que já estivessem nos últimos períodos da PUC Minas. Não era a Nasa, mas já seria meio caminho para chegar até lá e bem mais próximo do que eu imaginava. Me candidatei à vaga, fiz várias avaliações tipo provas e entrevista até que numa sexta-feira pela manhã recebi um telefonema com uma voz paulista do outro lado – me lembro direitinho do telefone fixo do meu quarto em formato de piano no qual atendi o telefonema.

A moça disse que eu havia sido selecionada para a vaga na Embraer e que, na segunda-feira seguinte, eu deveria estar em São José dos Campos para dar entrada, levar toda a documentação ao RH e todos os outros trâmites. Nem cogitava-se a ideia de enviar por e-mail ou coisa parecida, teria sido bem mais fácil.

Muito surpresa com a notícia e desorientada pelo tempo que teria para mudar “radicalmente” de vida, perguntei à atendente até que horas eu poderia dar a resposta e ela me disse que até o final da tarde. Eu desliguei o telefone e disparei a chorar, me vi diante de um grande dilema aos 20 anos: sair da casa dos meus pais, largar meu primeiro namorado, mudar de cidade, começar a trabalhar com algo muito desafiador que era a construção de aeronaves e um passo grande em direção ao meu sonho. Confesso que me deu um desespero muito grande, senti medo e, ao mesmo tempo, uma intensa alegria, um sentimento de que eu era capaz e de que eu poderia ter a minha vida totalmente transformada. Foi um misto de emoções, além do estresse causado devido ao pouco tempo que eu teria para pensar, analisar e resolver, pois eu deveria dar a resposta final em algumas horas.

O que fazer?

O medo de encarar esse desafio venceu a coragem de viver uma experiência fantástica. Triste relatar isso, sobretudo porque conheço uma pessoa que seguiu esses passos e está longe, profissionalmente falando. Apesar de não ter sido na mesma época em que eu e até hoje conversamos sobre essa história.

Por outro lado, essa experiência me gerou diversos aprendizados e, com certeza, mudou as minhas atitudes diante dos desafios e contribuiu para eu me transformasse em quem eu sou hoje. Então, enfrentar os medos e desafios com coragem, aproveitar as oportunidades, acreditar que é possível e confiar nas próprias capacidades com certeza nos levam a conquistar os nossos sonhos!

E eu não parei poraí! Depois da minha graduação em engenharia mecânica, ainda meio perdida e com o desejo latente, fiz um curso de especialização em Astronomia na UFMG. Astronomia não é astrologia! Adoro astrologia também, apesar de saber que uma coisa não tem nada a ver com a outra, elas tem algo em comum : os astros.

Essa viagem do brasileiro ao espaço nesse último final de semana  foi um gatilho que me fez lembrar dessas emoções, desses acontecimentos e de tudo que significou para mim. Eu senti uma vontade imensa de compartilhar aqui e, apesar de ainda sentir uma dorzinha lá no fundo, enxergo hoje cada vez mais próximo de nós a oportunidade que existe de viajar pelo espaço e a possibilidade de realizar os nossos sonhos. Fica aqui a minha mensagem!

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