Ninguém fica para trás

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É incrível como o brasileiro gosta de fila: não pode ver uma fila que vai para atrás do outro. Muitas vezes a pessoa nem sabe porque está lá e nem do que é a fila, mas o importante é estar aonde o povo está!

A primeira ideia do brasileiro quando vê uma fila é que estão distribuindo alguma coisa. Só a ideia de ganhar algum brinde ou algo free, de graça (de grátis, como dizem alguns) e não ter que pagar nada já vale o passeio através da longa fila.

Outra motivação também é a ideia de que se o outro está na fila, quer dizer que deve ser algo que vale a pena esperar e a pessoa não pode ficar para trás….jamais!

Ao mesmo tempo e por outro lado, onde brasileiros deveriam aprender a enfrentar e respeitar a fila, não querem e estão sempre com pressa. Muitas vezes nem sabem para que a pressa. Reclamam por hábito de reclamar.

Um bom exemplo de onde a fila é respeitada é nos bancos, pois em sua maioria tem um fiscal, um segurança,  mas a reclamação nesse tipo de ambiente é ainda maior.

E um exemplo onde a fila não é respeitada são em locais públicos como bares, danceterias, festas, teatros, cinemas, banheiros…..

Eu já vivenciei brigas e discussões por causa de pessoas que tentavam furar filas, o que, convenhamos é muito deselegante, mas a pessoa se acha no direito e não pode ficar para trás. Permanecer na fila é atraso de vida….e no caso o outro tem que pagar pela pressa e necessidade de poder do sujeito?

Muitas vezes uma pessoa fica guardando lugar para uma turma inteira e ninguém aceita isso, é muita folga! Na minha opinião, quando uma pessoa entra na fila enquanto outra vai estacionar ou ainda enquanto a outra vai fazer algo que justifique, considero plausível e ainda mais educado se a pessoa comunicar.

Uma outra situação que eu não poderia deixar de citar é o mais famoso: o trânsito! Estudos comprovam que um dos principais motivos do estresses é ele mesmo: o trânsito, sobretudo das grandes cidades.

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Como tem gente sem educação no trânsito, hein? E não varia de gênero não: homens e mulheres agressivos: falam palavrões, fazem gestos, gritam, buzinam…. que horror!

Normalmente, o trânsito já está todo engarrafado e todos querem passar no sinal amarelo, ultrapassam, não respeitam e acabam fechando o trânsito e vira uma maravilhosa confusão. Nessas horas nem sente-se o cheiro de qualquer fiscal do trânsito. Inclusive eu não sei onde eles trabalham, pois sempre que é necessário não vejo nenhum.

Mas não para por aí não: o sinal mal abre, já soa a buzina no carro de trás e do lado….. a impressão que eu tenho é que o sujeito fica com a mão na buzina e com o cronômetro ligado.

Se você quer mudar de pista e sinaliza, dificilmente consegue, pois não deixam acreditando que você vai estar passando na frente…. e ganhando.

A pergunta é: ganhando o que com isso?

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Uma outra situação semelhante são as faixas de pedestre: não vou entrar em detalhes, pois daria pano para manga.

Quase ninguém respeita, tem locais onde é quase impossível de atravessar sem ser atropelado, mesmo estando na faixa de pedestre. Outro dia eu vi na televisão um especialista em trânsito comentando sobre isso: ele disse que como a maioria não respeita o pedestre, os mesmos acabam por atravessar a rua em locais fora da faixa. Eu não acho que isso seja uma justificativa. Ambos devem respeitar: temos aqui mais um episódio de “ninguém pode ficar para trás”, ou ainda “eu tenho pressa, estou atrasado”.

Porque eu acho que ambos agem com falta de respeito e educação? Dependendo do local, se você é motorista e parar na faixa, permanece ali uns 10 minutos esperando, então acaba tendo que avançar, pois os pedestres não param.

Ou então tem que parar o carro, ir freiando ao longo do trajeto para pedestres que atravessam fora da faixa ou no sinal deles fechado e correndo…aí também não dá! Vejo alguns ainda puxando crianças e xingando porque não estão correndo….que belo exemplo!

Eu confesso que por estar inserida nessa cultura muitas vezes me sinto obrigada a não parar na faixa de pedestres para impedir que os outros carros batam na minha traseira, chego até a pedir desculpas para o pedestre com gestos e me sinto constrangida. Ao mesmo tempo, tenho visto muitos que param e fazem sinal para eu passar quando estou a pé, fico toda feliz e agradecida. E penso: graças a Deus os brasileiros estão começando a pensar e agir diferente!

Já me encontrei em algumas situações como pedestre, diante de um sinal e faixa próprias e não conseguir atravessar: vinham carros de todos os lados e o meu sinal não abria. Os pedestres que estavam ao meu lado saíam correndo quando viam uma pequena oportunidade e eu me sentia uma idiota esperando……

O que acontecia era que o tempo para atravessar era muito curto, se fosse alguém com necessidades especiais, algum idoso ou mesmo alguém mais lento, não conseguiria chegar ao outro lado e teria que encontrar outro trajeto. E no momento em que o sinal abria para o pedestre, o sinal de pedestre do outro lado estava piscando e os automóveis, principalmente motos já avançavam….. então isso tornava impossível atravessar de forma segura.

Seria tão mais satisfatório e educado se todos transitassem de forma harmoniosa e obedecessem sinalizações e regras de trânsito,  onde pedestres, motoristas e ciclistas pudessem conviver com respeito e segurança.

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Essa cultura do brasileiro de achar que senão for esperto sai perdendo já está ultrapassada. Pense nisso! Vamos juntos mudar um pouco esse conceito, vamos dar exemplo para os nossos filhos e criar uma geração com novos hábitos, valores e cultura, muito mais educada e respeitosa. Mesmo que a maioria ainda não o faça.

nada muda se você não mudar

Se eu pudesse fazer algo, ao invés de só aplicar multas como é praticado atualmente, acredito que seria necessário uma reeducação dos adultos e as crianças desde cedo deveriam aprender as regras de trânsito na escola: como atravessar a rua com segurança, por exemplo. E associada a isso, a fiscalização e multa.

Essas atitudes deixam todos mais estressados e a economia de tempo compensa?

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Mais do que pressa, é realmente essa crença do brasileiro de achar que sai perdendo aquele que deixar o outro passar, ou ainda de que é bobo ou idiota aquele que respeita a lei.

No final está todo mundo estressado: os motoristas, os pedestres, os ciclistas, os acompanhantes, todos chegamos mais desgastados ao destino e com a sensação de muito mais cansado.

Posso propor um desafio aos mais apressadinhos e estressados no trânsito?

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Vamos começar nós mesmos a mudar algo? Se comprometa a dar o primeiro passo e siga as dicas a seguir.

dicas

Antes de se sentir agredido ou que está sendo passado para trás e reagir, conte até 3 e respire fundo e calmamente: inspire, prenda o ar por alguns segundos e expire liberando todo o ar e deixe que o ar entre novamente, repita umas três vezes . Exercite a respiração diafragmática durante os percursos mais estressores.

E se você estiver realmente errado, fique quieto e não reage às provocações, se pedir desculpas vai elevar o seu nível e não será mais fraco ou bobo por isso, pelo contrário.

No momento do estresse, há um aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial, da constrição dos vasos, de glicose no sangue, da produção dos hormônios adrenalina, noradrenalina e cortisol. E esses produzem ações maléficas ao organismo: dor de cabeça, dores musculares, dentre outras. A resposta ao estresse ocorre em seis segundos pelo sistema nervoso autônomo, o tempo de você respirar calmamente, mudar o foco e deixar passar esse impulso nervoso.

O segundo passo a ser dado é se perguntar o porque de tanta raiva, qual foi o gatilho?

Identifique a sua crença: o que você acredita sobre as pessoas que te faz sentir essa raiva e reagir dessa forma?

Mude a sua crença de que as pessoas para serem melhores e vencedoras devem  estar à frente e passar os outros para trás, e de que ficar para trás faz de você um perdedor.

Que valor tem isso, onde isso vai te levar?

Saia na frente positivamente!

Mesmo que você esteja certo, seguindo as regras e um idiota e sem educação cometa um erro: entenda que se você xingar vai ser pior para você, você que ficará estressado. O que fazer nesses momentos? Reze e peça a Deus para abençoar a criatura, respire fundo e pense em algo bom, positivo, em como seria se todos fossem educados; mude o foco: pense nas suas férias, lembre da última viagem.

Tome como exemplo os países mais desenvolvidos e os cidadãos desses países para mudar a sua crença.

Se com eles funciona, porque não funciona com você? E lembre-se que você tem responsabilidade sim e que sozinho pode não mudar o mundo, mas pode começar mudando as suas atitudes, os seus pensamentos, as suas crenças e assim as suas emoções, contribuindo para uma melhoria na sociedade e cumprindo muito bem o seu papel de cidadão.

Deixar um pedestre atravessar, parar na faixa, dar passagem a outro veículo faz de você um bobo? Onde tem escrito essa regra? Ou faz de você um cidadão respeitoso e educado? Aprenda a se sentir bem com atitudes como essas.

O terceiro passo para lidar com o estresse no trânsito é levar dentro do carro revistas, jornais, áudio-books, ouvir músicas clássicas para ocupar o tempo de forma positiva e relaxante enquanto aguarda. Eu já cheguei a ler 2 livros completos no trânsito, além de apostilas e áudio-books.

O quarto passo seria encontrar alternativas de horários e de trajetos, evitar horários de pico e lembre-se de sair com antecedência para os compromissos para evitar atrasos. E além disso, saiba seu limite de trabalho e respeite-o para evitar cansaço exagerado e estresse maior no trânsito.

Experimente isso, invente outras formas criativas e depois me conta aqui no blog.

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