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Como alguns de vocês já sabem, eu fiz uma viagem à Índia em novembro de 2018 e resolvi compartilhar sobre essa experiência e meus aprendizados aqui no blog, já que várias pessoas me pediram isso.  Porém um texto e algumas fotos não são suficientes para descrever tudo! Toda essa experiência daria tranquilamente para escrever um livro! Então, imagine a minha dificuldade em resumir…

Ir para a Índia foi mais do que uma viagem, foi uma jornada, intensa e transformadora. Ir com pessoas desconhecidas, que se tornaram amigas,  também foi um fator contribuinte para tornar essa jornada ainda mais especial.

Éramos três garotas, bem diferentes uma da outra. Aí se iniciou a primeira etapa dos aprendizados: a convivência.  Foi necessário muita compreensão, companheirismo, resiliência, não julgamento e paciência.

O ponto mais interessante para mim dessa parte foram as histórias de vida de cada uma delas, que me fez refletir e algumas atitudes, que me fez repensar sobre a maneira de enxergar o mundo.

Percebi também a importância de expandir os relacionamentos, as nossas conexões, fora do ciclo comum. E de arriscar-se, transpor barreiras.

Sabia que esse nunca tinha sido um destino dos meus sonhos?

Mas num determinado momento, estava levando minha vida de uma maneira na qual faltava tempo para o essencial, muito concentrada no mundo exterior, nas atribuições e nas tarefas do dia-a-dia. E muitas vezes, nós precisamos nos desconectar do exterior, dessa realidade externa, para envolvermos com o nosso interior e então evoluir, sentir e ser verdadeiramente.

Quando nos concentramos no mundo exterior, com frequência  nos mantemos presos às nossas ilusões, aos nossos velhos hábitos e padrões. No momento em que nos voltamos para dentro,  abandonamos essa mente crítica e alcançamos a mente mais profunda. Então, eu percebi que eu precisava me voltar mais para o interno, dar uma parada daquela correria do dia-a-dia e desenvolver mais o meu lado espiritual. Como eu adoro viajar, o meu primeiro pensamento foi esse e em seguida eu comecei a pensar num destino totalmente diferente, onde eu pudesse viver uma nova experiência, quebrar padrões, extravar, sair do lugar comum. Assim, eu busquei e descobri que a Índia seria o destino certo. E quando eu sismo com uma coisa que eu quero, eu vou até o fim. A decisão já tinha sido tomada: Eu vou para a Índia!

Então, eu parei tudo e me permiti, passei 15 dias lá, o que me trouxe novos conhecimentos, me proporcionou adentrar numa cultura totalmente diversa, com milhares de anos de história, espiritualizada, e aprender filosofias, técnicas, meditações e rituais de gratidão, de paz interior, de celebração, o que possibilitou essa reconexão com a minha essência.

Eu fui exatamente em busca disso nessa viagem sagrada para Índia, que eu chamei de jornada: desenvolver mais o lado espiritual, quebrar padrões e sair da zona de conforto, desse piloto automático, olhar para dentro, crescer! Além de provar novos aromas, sabores. E eu trouxe na bagagem ainda muito mais!

Falando em aromas e sabores, faz-se necessário aqui uma pausa para alguns comentários. O famoso chá indiano é o primeiro que se destaca , que eles chamam de chai. Em qualquer lugar eles te oferecem o chai, sobretudo o de masala. Depois, ele passou a ocupar o lugar do nosso cafezinho. Acrescido de  leite, ele ficava bem gostoso!

Agora vem a parte que mais me instiga: a história envolvida no mistério do masala: reza a lenda que essa mistura no chá, o chai indiano com especiarias e leite foi criada há mais de cinco mil anos por um rei indiano que guardou a receita como um tesouro. E segundo a medicina ayurvédica, o tempero masala possui propriedades termogênicas, ou seja, quando consumido aquece o corpo e acelera o metabolismo, fazendo com que o organismo gaste mais energia e perca mais calorias. Acredita-se também que seu consumo cria uma sensação de bem-estar e felicidade.

Os indianos são super hospitaleiros e generosos, qualquer troca de palavras já era motivo de um convite  para tomar um chai na casa deles e conhecer a família. Esse aí é nosso guia Dilip , que tratava a gente como se fosse um pai, super atencioso.

Seguindo essa tradição, eu trouxe um pacote, quem quiser experimentar, é só avisar e ir lá em casa ou no Espaço Meus Miolos. “Disponível quando avisado com antecedência e até quando durarem os estoques.”

O masala é uma combinação de temperos bastante tradicional, que na maioria das vezes é composto por anis, cardamomo, cominho, açafrão, gengibre, canela, cravo, noz moscada, pimenta do reino e pimenta branca. O fato de que é uma combinação eu só descobri depois que eu voltei!

O grande segredo de todos os pratos da culinária da Índia estão no colorido e no tempero, com misturas de especiarias e ervas, como o curry, pimenta preta, coentro,  noz-moscada e erva doce. Eu estava doida para experimentar esses sabores da culinária indiana, mas na grande maioria dos pratos incluía-se masala ou pimenta. No início era um prazer experimentar, depois começou o exagero até que num momento eu não aguentava mais sentir o cheiro, ficava impregnado no meu nariz. Até brincávamos quando as pessoas perguntavam o que estávamos comendo e a resposta era a mesma: pimenta e masala!  Do meu ponto de vista, para tudo existe o lado bom e o lado ruim. E nesse caso o  pecado é o excesso, o exagero.

Os pães típicos indianos chamaram  a minha atenção,  acompanhados de diversos molhos (a maioria apimentados) e, algumas vezes, substituíam os talheres. São servidos em todas as refeições,  na maioria das vezes é frito, desde o café da manhã nos hotéis, restaurantes quanto nas ruas, em carrinhos pela cidade. Pelo menos por onde passei.

A jornada foi pelo região norte da Índia, nas cidades de Delhi, Agra, Khajuraho, Rishikeshi e Pune. Senti falta de conhecer algumas cidades no Rajastão, mas vai ficar para a próxima.

Em algumas cidades provamos comidas e um tempero diferentes, em Pune e em Varanasi,  em restaurantes de culinária asiática em geral ou internacional . A cidade de Rishikesh, por exemplo, é vegana por lei, carne e álcool não são encontrados. Apesar disso, lá nós comemos muito bem em restaurantes de comida orgânica.

Raramente é encontrada carne bovina no cardápio, apenas carne de frango. Na religião hindu, que é praticada por aproximadamente 80% dos bilhões de indianos,  as vacas são consideradas sagradas por estarem simbolicamente ligadas à figura materna, à fertilidade e às características de docilidade e humildade. E por isso, o abate desse animal é proibido. Inclusive, até o cocô da vaca é usado em rituais de purificação. E, se você pisar (o que não é difícil), significa boa sorte. Nós não tivemos essa sorte!

As vacas circulam com tranquilidade pelas ruas, dividindo espaço entre as pessoas, as motos, tuk-tuck´s, carros; contribuindo com o aumento das buzinas e com a confusão do trânsito. Ás vezes era difícil de entender tanto caos, tanta sujeira, pobreza e ao mesmo tempo tanta espiritualidade, amor, sorrisos.  Ao olhar com uma perspectiva além da visão comum, faz sentido entrar em contato com o maior tesouro da Índia: a espiritualidade. E eu aprendi isso: muita coisa simplesmente não se explica, não se entende. Apenas se sente, se vive…E a minha sensibilidade estava à flor da pele.

Os aromas desagradáveis eram encontrados pelas ruas da maioria das cidades na Índia, associados à pobreza e à falta de saneamento básico. O papel higiênico e o álcool gel faziam parte da minha mochila constantemente. Por outro lado, os aromas dos incensos e dos óleos essenciais eram destaques.     É por meio do incenso que se consegue elevar a espiritualidade e o bem-estar, purificar a energia, atrair vibrações positivas, harmonizar e proporcionar um delicioso aroma circulando pelo ambiente. Na Índia, eles acreditam e percebem os poderes terapêuticos e os benefícios conseguidos através da inalação dos aromas. O sândalo é um dos mais tradicionais,  ele é originário de uma árvore que tem origem nesta região. O mais famoso mesmo é o de masala (não poderia faltar!).   Os óleos essenciais possuem várias propriedades curativas e para a saúde, estimulando a regeneração celular, aliviando dores, equilibrando as disfunções emocionais, e combatendo bactérias, fungos e outra infecções. Além de proporcionar alívio do estresse, aumento de energia e aumento da concentração mental. Eu, que nem era tão fã desses cheiros, voltei com a mala cheia deles: tanto incensos quanto óleos essenciais!

Me atrai bastante e lá é muito comum essa questão do simbolismo. Por exemplo, o elefante, a árvore da vida, o pavão, o peixe e outros mais. E eu ficava horas ouvindo (e tentando entender) as explicações dos vendedores indianos sobre o simbolismo de cada arte ou adorno. O ganhador, pra mim, digno de voltar na mala, foi o elefante!

 

Para o budismo, o elefante é um símbolo de força da mente, e no hinduísmo, representam boa sorte, proteção, sabedoria e prosperidade. É também atribuído ao elefante , sobretudo àqueles com a tromba para cima, a função de boas vindas àqueles que entram ao ambiente. Um dos seus deuses mais importantes tem a figura de um elefante, Ganesha.

Aproveitando que falei de Ganesha, acho também importante falar de Shiva, onde era maior a devoção na maioria dos templos em que visitei. Além disso, comentar um pouco dos rituais hindus, de adoração, de agradecimento.

Em Agra, Uma história de amor, uma das 7 maravilhas do mundo e uma inspiração: determinação, amor e muito trabalho e dedicação para a construção dessa obra de arte. Trabalharam 20 mil homens durante 22 anos.

Tive o prazer de participar da festa das luzes, o festival Diwali, que é uma festa tradicional hindu, onde as pessoas celebram com troca de doces, fogos de artifício e um ritual de agradecimento e de proteção espiritual.

Um dos pontos ímpares da viagem foi a visita aos templos sagrados de Khajuraho, acompanhadas do mestre Sri Swami Ganga tivemos uma aula sobre a história e filosofia tântrica. Essa cidade foi onde nasceu o Tantra. Experimentei meditações e vivências em cenários sagrados. Tivemos um encontro com o mestre Swin Ganga, conhecedor de várias filosofias, como tantra, yoga e hinduísmo. E pude conhecer um pouco de cada uma delas , o que despertou em mim uma desejo imenso de aprender mais.

Fui muito aberta, mas o meu receio era eu ter que comer com as mãos e confesso que apenas em Delhi, num primeiro templo, não tinham talheres, mas os pratos eram tipo lanches, onde facilmente comemos com as mãos, depois de banhar com álcool gel. O bom de tudo isso também é que voltei uns dois quilos mais magra e com vontade de comer a comidinha de casa.

Uma das coisas que considero mais fascinante, tanto nesta quanto em qualquer viagem é a história,  a cultura e os mistérios. A Índia então, com toda a cultura milenar e redescobrir, mergulhar nos mistérios da espiritualidade, desenvolver habilidades  e intensificar o lado espiritual.

Varanasi, uma das cidades mais antigas do mundo, carregada de uma história de milhões de anos, de inestimável valor, banhada pelo sagrado Rio Ganges ou Rio Ganga, como muitos o chamam. Nenhuma palavra é capaz de descrever o que se sente vendo a criança que brinca na mesma água em que são jogadas as cinzas do velho que se foi. A mente fica sedenta de respostas e o coração pulsa como quem compreende que a vida é um mistério.

Aqui funciona ininterruptamente o principal crematório a céu aberto da Índia. A morte está ao alcance dos olhos. Nada a dissimula ou disfarça. Presenciaremos os corpos sendo cremados ritualmente nas fogueiras. Os hinduístas acreditam que, quando os corpos são queimados e suas cinzas jogadas ao Ganges, eles recebem moksha, a liberação dos pecados.

O mesmo ritual praticado diariamente há milhares de anos à beira do Ganges. Todas as noites um grupo de sacerdotes realiza, no Ghat Dasaswamedh, um maravilhoso Agni Pooja (culto de fogo), ou aarati, dedicado ao senhor Shiva e a Ma Ganga (rio Ganges)

O que mais me emocionou foi o Aarti,  mantras poderosos são cantados,

Muitos rituais acontecem à beira do Ganges. A alma de Varanasi está às margens do rio, nas escadarias que terminam em suas águas. Cada pessoa tem a sua própria maneira de celebrar esse contato com o rio sagrado. Alguns oferecem orações e entoam mantras, outros bebem de sua água, e outros ainda fazem oferendas de água ao sol. Para os hindus, uma forma de purificar o carma é tomar banho nas águas do rio Ganges.

Chegamos em Rishikesh, uma cidade aos pés dos Himalaias – berço primitivo do Yoga, onde se respira espiritualidade.

Lá eu pude experimentar um banho de purificação no Ganges, um dos momentos mais marcantes. A água descia gelada das montanhas, e eu precisei reunir coragem para entrar. Mas quando entreguei o corpo à cachoeira, algo mudou. Não foi misticismo — foi entrega. Uma sensação de que eu não precisava controlar tudo o tempo todo. A cachoeira escolhida tinha uma energia que não se explica, se sente.

Na caverna Vasishita, meditamos no escuro absoluto. No começo, a mente gritava. Depois de alguns minutos, o silêncio se tornou mais alto que qualquer pensamento. Saí de lá com a certeza de que a gente passa a vida com medo do escuro, quando na verdade o escuro é um dos poucos lugares onde a gente pode se ouvir de verdade.

E então Osho. Depois de dias de introspecção, chegar no Osho Meditation Resort em Pune foi como virar a chave. Lá a meditação não é estática — é movimento, dança, catarse, respiração. Eu experimentei meditações que mexeram comigo de um jeito que eu não esperava. E descobri algo curioso: a meditação que mais me tirou do sério foi justamente a que mais me ensinou. Fiquei com isso até hoje — talvez o desconforto seja um ótimo professor, a gente é que não aprendeu a escutá-lo.

Voltei mais sensível. Mais ligada ao coração. Dando uma importância que antes eu não dava para as conexões, para o afeto, para o respeito ao tempo de cada coisa. Difícil descrever toda a beleza experimentada ali em um único texto. Acho que algumas experiências são feitas para ficar guardadas com a gente, não em palavras.

Chega a ser difícil descrever em um texto toda a beleza experimentada na Índia. Mas fica o registro: a Índia é um país que espera por quem está pronto para se encontrar. Eu penso em voltar lá um dia e conhecer outras regiões, descobrir novos caminhos e criar novos olhares.

Essa jornada me inspirou tanto que escrevi um artigo mais completo sobre como a Índia me ajudou a reconectar com meu propósito — e como você pode fazer algo parecido sem precisar viajar para lá. Clique aqui para ler.

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