Eu sobrevivi

 

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O  dia 29 de outubro é o dia mundial do AVC, que é a segunda maior causa de morte no mundo e a primeira causa além de morte, de incapacidade no Brasil.

O Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC) tem a finalidade de conscientizar as pessoas sobre as formas de prevenção da doença cerebral que mais mata no Brasil.  Ele foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2006, em parceria com a Federação Mundial de Neurologia. A data ficou definida especificadamente para alertar a população sobre os tratamentos e prevenções da doença, além de engajar os profissionais da saúde a melhor orientarem os seus pacientes sobre estes cuidados.

Eu estou aqui escrevendo esse texto para incentivar, informar e ajudar ainda mais, pois me considero uma sobrevivente.

O AVC é uma perda rápida de funções neurológicas por entupimento ou rompimento dos vasos sanguíneos.

Existem duas causas para o AVC. O tipo mais comum, que responde por 85% dos casos, é o AVC isquêmico, acontece quando há entupimento da artéria por um coágulo. O outro é o hemorrágico, que ocorre com a ruptura de um vaso sanguíneo. Em ambos, a parte do cérebro afetada não recebe o oxigênio necessário, o que compromete os neurônios.

Para saber se alguém está sofrendo um AVC, os médicos indicam três ações básicas: pedir para a pessoa sorrir, levantar os dois braços e dizer uma frase simples. Caso o sorriso fique torto, um dos braços caia ou ela não consiga dizer a frase, provavelmente essa pessoa está sofrendo um derrame cerebral.

Existem muitos fatores que precisam ser aprimorados e levados em consideração para que o indivíduo não venha sofrer um AVC: hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, excesso de peso, tabagismo, abuso de bebida alcoólica, uso de drogas, histórico familiar.

Quantas vezes já  ouvimos contar histórias que tal pessoa se alimentava de maneira saudável, não fumava, não bebia, praticava atividade física…e mesmo assim teve um AVC? Tenho certeza que você já ouviu de alguém próximo a você.

A partir disso, constata-se pelos resultados dos exames o fator genético como a causa do problema…. O correto é afirmar que essa é apenas uma das causas, um fator que aumenta o risco e a possibilidade da ocorrência ou de uma reincidência.  Já sabemos, de acordo com especialistas, que o fator genético influencia o surgimento das doenças no organismo apenas  numa porcentagem em torno de 17% .

O AVC é consequência de multifatores. Além das já comentadas acima, o estresse, os comportamentos e a forma não tão equilibrada de lidar com a vida agravam ainda mais esse quadro.

É importante saber identificar os fatores de risco individuais e buscar evitá-los. A prevenção das doenças cerebrovasculares consiste na identificação e correção desses fatores, ou seja, controle da hipertensão arterial, tratamento de cardiopatas, controle dos níveis de colesterol, triglicerídeos e glicemia, evitar o fumo e o uso abusivo de alcoól, combater o estresse, a obesidade e o sedentarismo, essas últimas através de atividades físicas e alimentação balanceada.

Posso afirmar que o estresse foi a maior causa do AVC que sofri no ano de 2013.  Eu tinha vários fatores de risco, dentre eles a genética, pré-diabetes ou resistência à insulina e o estresse. Por mais que existissem fatores físicos e genéticos, o fator emocional e o comportamental tiveram grande influência no ocorrido. Reconheço que foi fruto das minhas atitudes, das minhas escolhas, das minhas crenças e da forma de lidar com a vida.

Mas a sociedade parece não se atentar para isso….. E alguns profissionais não consideram isso importante ou então não sabem como ajudar o paciente a administrar esse estresse ou a mudar comportamentos. Claro, pois essa não é uma função do médico! E o paciente quer remédio e não mudar…..

Esse é um trabalho para psicólogos, terapeutas, coaches e profissionais que trabalham exatamente com esse objetivo: de mudar comportamentos, questionar crenças, gerando aprendizados e melhorias nos relacionamentos e na saúde de modo geral. Profissionais que tenham técnicas e ferramentas que possibilitem o indivíduo a lidar melhor com situações de conflito, com adversidades, que aprendam a resolver problemas, a relaxarem e tudo o que for preciso para alcançarem um equilíbrio na vida profissional e pessoal.

Depois do que passei, tomei a decisão exatamente nesse sentido: de ajudar as pessoas  a administrarem a sua vida profissional e pessoal de forma a evitarem passar pelo que eu passei e saberem  lidar com o estresse, melhorando a qualidade de vida profissional e pessoal. E me tornei uma profissional coach nessa especialidade: gestão do estresse.

Muitas pessoas não estão preocupadas se vão morrer ou não, se esse será o motivo de sua morte, preocupam-se mais em se sentirem incapacitados, todos nós temos medo disso. Mas temos aquele velho hábito de não nos cuidar e achar que as coisas nunca vão acontecer com a gente. Momento de deixar os velhos hábitos e criar novos, mais benéficos e enriquecedores.

Dentro das empresas existem profissionais com riscos em níveis altíssimos de sofrer algo desse tipo, sobretudo executivos, líderes alpha, com características e perfis propensos ao estresse, que sofrem pressão constante. Senão trabalharem isso, além de reduzirem a produtividade e muitas vezes contaminarem toda a equipe, podem parar de uma vez por todas, causando danos pessoais e dentro da empresa. Importante dentro das empresas essa conscientização.

De acordo com estudiosos da Universidade de Edimburgo, Escócia: pessoas que apresentam fatores iniciais de estresse, ansiedade e depressão correm mais risco de sofrer um derrame cerebral. Aquelas que tem sintomas graves de estresse e ansiedade correm até o dobro do risco.

Convido a todos a iniciarem esse combate ao AVC, informando-os  sobre a importância de cuidar da saúde, de cultivar hábitos e relacionamentos saudáveis que vão desde consumir alimentos de forma balanceada e praticar exercícios físicos até comportamentos positivos em relação à vida e controle de estresse,  a fim de prevenir a ocorrência ou reincidência de um AVC.  Além disso, os benefícios serão evidentes no que diz respeito à qualidade de vida, satisfação, produtividade e relacionamentos.

Quanto antes for percebido, maiores as chances de recuperação sem sequelas e quanto mais trabalharmos nosso cérebro, maiores as chances de recuperação às sequelas. Isso é algo que muitos não sabem e que é chamado de plasticidade cerebral. Quanto mais pessoas souberem que é possível prevenir o AVC e acionarem os médicos imediatamente,  menor o número de pessoas com sequelas.

Os principais sintomas de um AVC são a paralisia súbita de um lado do corpo (rosto, braços ou pernas) perda de sensibilidade, tontura e dificuldade de visão, fala e compreensão,  dor de cabeça forte e repentina.

Se acometido por um ou vários desses sintomas, o paciente deve ser submetido a um teste ou buscar ajuda médica, conforme descrito no início do texto.

Realmente, no meu caso tive dores de cabeça e um desânimo incomum, sem vontade de fazer nada….. depois  de sentir por dois dias seguidos dor de cabeça sem fazer efeito sob a ingestão de remédios, acordei com uma dor na nuca e então deduzi que poderia ser da cervical, visto que era normal sentir tal incômodo. Imediatamente entrei em contato com a minha fisioterapeuta para marcar uma sessão e liguei para acupuntura também, pois sinceramente estava com uma sensação muito ruim…. e então fui trabalhar. Na empresa, liguei o computador e comecei a trabalhar, até dar o horário de ir para acupuntura, que era ao meio-dia ou uma da tarde, senão me falha a memória…

A acupuntura pouco adiantou para resolver tal dor de cabeça e eu me sentia mais desanimada ainda e sem energia… Até pensei que fosse a idade avançando….Eu estava com 37 anos.

Voltei ao trabalho e uma determinada hora percebi que respondi de maneira estranha às perguntas de uma colaboradora, percebi pelo seu olhar e pedi desculpas. Em seguida, senti dificuldades em me concentrar na atividade que estava realizando no computador. Pior do que isso, tive a certeza que não estava mais conseguindo ler nada. Eu enxergava,  notei que era algo como se fosse um sono, a vista estava embaralhada, não conseguia definir as letras, frases ou algo que pudesse fazer algum sentido.

Isso me preocupou e eu fechei os arquivos com muita dificuldade e fui para outra sala, onde podia ficar sozinha, lavei o rosto no banheiro e então olhei para o espelho e foi a sensação mais estranha ou diferente que já tive na minha vida. Parecia que não era eu, e então eu tive certeza que estava acontecendo alguma coisa com meu cérebro.

Eu comecei a alternar entre duas realidades distintas e não tinha mais controle sobre os meus pensamentos, sobre o meu raciocínio, era como se o lado esquerdo do cérebro não permitisse um contato mais profundo com o lado direito.

E então busquei ajuda da minha irmã dizendo essa mesma frase ( Está acontecendo algo com meu cérebro) e no mesmo instante ela me levou  ao hospital. Nesse momento, eu já não conseguia mais reconhecer o que era bolsa, o que era celular…. estava totalmente em alfa, mas aquilo não me preocupava, apesar de perceber o que estava acontecendo.

Porém, apesar da ajuda ter sido imediata fiquei durante umas três horas para me atenderem e me diagnosticarem. Até eu que não sou médica já sabia o que estava acontecendo! Nesse momento eu queria falar, mas já não conseguia….eu balbuciava algumas palavras e pela cara que as pessoas faziam imaginei que eu estivesse falando grego ou algum dialeto desconhecido. Depois descobri que só falava o número três e as pessoas ao meu redor tentavam descobrir o que significava. Nada!

E depois de um tempo, de exames, de ver ao longe as pessoas ao meu redor, minha mente se calou: eu estava livre. Livre de pensamentos, de preocupações, de questionamentos, zero obrigações, eu não precisava fazer mais nada, nenhum esforço ou provar qualquer teoria. Eu tinha sofrido uma trombose cerebral, o que acarretou uma hemorragia e um acidente vascular cerebral. A lesão foi do lado esquerdo do cérebro.

Não faça de você uma próxima vítima.

Leia mais sobre a minha experiência, meus aprendizados e tudo mais no próximo post.

3 comentários

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  • Muito bom ecesclarecedor o artigo.Tive um AVCH A 4 ANOS QUE ME DEIXOU SEQUELAS DO LADO DIREITO E UMA CKNSTACAO NO INTESTINO CRINICA.VENHO LUTANDO PARA voltar a vida normal Mas está difícil.Obrigado pelo artigo Ezio de Azevedo.

  • Tive um avch em outubro de 2017 depois de 10 dias de um parto cesárea. Não tive nenhuma sequela graças a Deus, já voltei a trabalhar. Mas estou preocupada de uns dias pra cá ando passando muito estress no serviço e não consigo me acalmar. Gostaria de uma ajuda de como lidar com isso.

    Obrigada,
    Pamela

    • Pamela, obrigada por compartilhar e comentar. Se está passando por muito stress no seu serviço, é bom entender qual o fator estressor, ou seja, o que realmente te estressa? O que mais você sente? Em primeiro lugar é entender de onde vem esse stress e utilizar a respiração diafragmática, ou seja, respirar adequadamente durante pelo menos 5 minutos por dia. Dê uma olhada e inscreva-se no meu canal do Youtube: https://www.youtube.com/isabelacapelao, pois lá tem várias dicas em vídeos. Espero ter ajudado! Se quiser mais detalhes ou algo mais individualizado, entre em contato. Grande abraço

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